Nada vale mais que a vida

Ilustração de abertura

 

A contratação de um seguro específico assegura proteção financeira na ausência do provedor da família

 

Carlos Alberto Pacheco

De Goiânia

 

Seria um dia comum para a telefonista Ana Paula Bravos da Silva, 27 anos, se não fosse por um fato lamentável. Final da manhã do dia 25 de setembro de 2016. A jovem pilotava tranquilamente uma motoneta na Rodovia 153, Km 433, em Anápolis, quando, ao tentar se desviar de buracos na pista, se chocou com uma carreta. O veículo a arrastou por cerca de 10 metros. Sofreu várias escoriações e o mais grave: perdeu a perna direita. A tragédia a deixou abalada por meses.

Mas, como alívio, ela foi beneficiada por uma apólice de seguro de vida coletivo contratada pela sua empresa. Valor da indenização: R$ 150 mil. “Esse dinheiro foi muito importante para custear despesas médicas e pagar as prestações atrasadas de minha casa”, revelou Ana Paula. Ela admite que, sem esta proteção, sua situação teria se complicado muito. “Depois do acidente, percebi o quanto é valioso ter um seguro de vida, até mesmo o individual em qualquer situação”, ressaltou.

O corretor de seguros goianiense Leopoldo Marques prestou toda a assistência a Ana Paula, desde o momento da internação e acionamento da seguradora responsável. Com 15 anos de experiência profissional, ele considera os seguros tanto de vida, quanto o coletivo, fundamentais para situações adversas. Justamente na perda de um ente querido, sobretudo quando é o esteio da família, é que se percebe o valor da proteção.

“O seguro de vida individual, por exemplo, não é item de inventário e nem faz parte de herança e evita a família se desfazer de patrimônio para arcar com despesas decorrentes de uma fatalidade”, explica.

Além de Marques há outros corretores que incorporam os seguros de pessoas em sua carteira. É o caso do corretor paulista Reynaldo Paulo Sacco, que busca agregar valor em seu trabalho atendendo a clientes do Estado de Goiás, sobretudo Goiânia e Aparecida de Goiânia. No começo, era a dependência eterna do seguro automóvel. Cem por cento da renda de Reynaldo girava em torno dos contratos comercializados em relação a vários modelos. Porém, a partir do ano 2000, após quase vinte anos de “estrada”, percebeu que seu modus operandi estava superado – ou diversificava sua carteira de produtos ou estaria perdendo terreno para outros profissionais da área. O que fazer?

“Em 2008 decidi ampliar a carteira. Participei de cursos e palestras para conhecer e me aprofundar em produtos de seguros de pessoas. Foi a melhor decisão que tomei na minha carreira”, reconhece. A decisão de Reynaldo foi acertada. Segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), os seguros de pessoas movimentaram R$ 2,7 bilhões em novembro de 2016, alta de 8,87% em relação ao mesmo mês de 2015.

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Reynaldo diversificou a sua carteira de clientes e agora trabalha com seguros de pessoas

O seguro de vida, que representa o maior volume do segmento, registrou R$ 1,067 bilhão em prêmios, com expansão de 6,38% no período. Em anúncio recente feito pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), neste primeiro semestre, o seguro de vida individual cresceu 26% comparado a igual período de 2016. O seguro de pessoas também apresentou uma boa performance, ao crescer 11% até junho último.

Na Região Centro-Oeste, esse cenário é visível, sobretudo em Goiás. Os dados são da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Entre os anos de 2003 e 2015, o mercado goiano cresceu 21,55%, enquanto em âmbito nacional o setor registrou alta de 14,74%.

Ao contrário das décadas anteriores, o brasileiro começa a perceber a necessidade de contratar um seguro como forma de assegurar integridade da família. É a quebra de um tabu porque o cidadão normalmente não costuma a pagar por aquilo que não se adquire de imediato. Graças a um trabalho incessante de seguradoras e corretores de seguros está sendo possível, agora, alterar esse quadro.

Mercado promissor

Em Goiás, o aumento da contratação dos seguros pessoais é sintoma da expansão do mercado como um todo no primeiro semestre de 2017, que hoje alcança 3,4% em termos de participação dos negócios no País. E o número de corretores goianos também aumenta. De acordo com estatísticas recentes da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), há em atividade no Estado 2.339 corretores, entre pessoas físicas e jurídicas. Em 2016, havia 257 profissionais que trabalhavam com a carteira de seguros de pessoas. Neste primeiro semestre, esse número subiu para 297, ou seja, acréscimo de 16% (dados contabilizados até junho).

“De fato, Goiás é mercado promissor. Embora haja famílias que resistem em cortar o supérfluo, percebo um movimento contrário paulatino”, opina Marques. Em sua análise, o corretor, ao oferecer a proteção no seguro de vida, ela vai além: torna-se consultor e também agente de proteção social. O trabalho deve ser permanente de reversão de uma tendência que, até então, enxergava os seguros de pessoas como o “patinho feio” do mercado.

A exemplo do médico, o corretor de seguros é profissional full time – sua prioridade é atender plenamente o segurado. “Já recebi ligações de clientes na madrugada porque o desespero não tem hora certa de acontecer. São casos de acidentes graves ou mesmo morte de um familiar, muitas vezes o provedor”, ressalta. Em situações como esta última, Marques abre um chamado na seguradora e cuida de tudo: desde providências como expedição de atestado de óbito, velório e sepultamento. “São despesas altas, cujo ônus a família não pode arcar”, reconhece.

Marques: “Na perda de um ente querido, sobretudo quando é o esteio da família, é que se percebe o valor da proteção”
Marques: “Na perda de um ente querido, sobretudo quando é o esteio da família, é que se percebe o valor da proteção”

O seguro de vida possui a característica da abrangência. Segundo o atuário e presidente do Conselho Consultivo do Clube Vida em Grupo São Paulo (CVG-SP), Dilmo Bantim Moreira, trata-se de apenas um entre vários tipos de seguros de pessoas. É uma proteção que visa fazer frente a um conjunto de dificuldades financeiras. “Esta modalidade de seguro deveria ser prioridade de todos”, adverte. De acordo com Dilmo, o produto pode ser utilizado aos que têm dependentes ou dívidas de longo prazo, como pagamento de imóveis ou escola dos filhos, por exemplo.

De qualquer maneira, tais obrigações são comprometidas quando surgem eventos catastróficos, como o acidente que Ana Paula sofreu. Uma nova (e difícil) realidade financeira aponta para menos disponibilidade de dinheiro. Por outro lado, a jovem anapolina, beneficiada com o seguro, já faz planos. Está concluindo seu tratamento de reabilitação e, em breve, voltará ao trabalho na mesma empresa. “Todos gostam muita dela, uma profissional dedicada em sua área”, complementa o corretor Leopoldo Marques.

 

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