Caso Odebrecht: Base de Juraci leva 4 anos para ‘abrir os olhos’

(Foto: Arquivo/ Câmara Municipal de Rio Verde)

Parlamentares da situação esperaram o período eleitoral para ‘descobrir’ o que todos já sabiam: contrato com a Odebrecht é excelente para a empresa e péssimo para o consumidor

 

Vereadores da base do prefeito Juraci Martins (PPS) na Câmara Municipal de Rio Verde precisaram esperar quase o mandato inteiro para anunciar que ‘descobriram o que todo mundo já sabia: o contrato com a Odebrecht via Saneago é excelente para a empresa e maléfico para o consumidor.

No encerramento das sessões legislativas do 1° semestre na última terça-feira (21), o vereador Iturival Nascimento (PROS) apresentou um projeto que pede a revogação do contrato de subdelegação dos serviços hoje prestados pelo Consórcio Centro-Oeste, formado pelas empresas Norberto Odebrecht, Foz do Brasil e Construtora Central do Brasil, todas elas investigadas na força-tarefa da Lava Jato.

Apesar dos inúmeros alertas contra a assinatura do contrato desde 2012 pelo então coordenador do Centro de Apoio Operacional do Consumidor, do Ministério Público, Érico de Pina, pelo sindicato dos trabalhadores e pela imprensa, o autor do projeto disse que os vereadores da legislatura passada “fizeram o que achavam certo”, mas que os atuais somente agora viram que foi “um tiro no escuro.”

Nos quase quatro anos que os parlamentares demoraram a chegar a essa conclusão, o atraso e a má qualidade se tornaram a marca dos serviços de ampliação e exploração da água e esgoto na cidade. Mote da campanha à reeleição do atual prefeito em 2012, a promessa de não permitir aumentos na tarifa confirmou ser pura balela. Os preços ao consumidor não só foram reajustados, como deixaram de passar por audiências públicas na forma que exige o contrato.

Contradição

Na tentativa de pegar carona no apoio ao projeto para a campanha eleitoral, alguns parlamentares acabaram caindo em contradição. Os vereadores Manoel Pereira (PSDB)e Luiz ‘Doido’ (PROS) declararam que vão votar pela aprovação, mas assumiram que não acreditam no rompimento do contrato.

O ninja que fez o contrato é tão ninja que ninguém consegue desamarrar”, disse Manoel, aparentemente predizendo o futuro. Ele ainda falou que o prefeito vetará o projeto e que os parlamentares podem passar vergonha na Casa ao terem de aprovar um suposto veto de Juraci.

O líder do prefeito na Câmara, Celso do Clube (SD) ponderou que o rompimento pode gerar “bilhões” em indenização para a empreiteira. “E tudo que já foi feito? A empresa vai ficar no prejuízo?”

Vai ou racha

A vereadora de oposição Lúcia Batista (PRP), que denuncia irregularidades na subdelegação desde o início da atual legislatura, disse que está disposta a votar favoravelmente à lei que autoriza a revogação do contrato. Ela criticou, entretanto, o discurso dos membros da base.

Essa história de que o contrato é ‘irretocável’, ‘imexível’ e não pode ser rompido é conversa para boi dormir.” Ela acredita que, caso o possível veto do Executivo não retorne ainda este ano para a Casa, a discussão continuará no próximo mandato. O contrato de subdelegação tem duração de 30 anos, com possibilidade de ser renovado por mais 30.

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