Morte de estudante de Rio Verde nos EUA ainda intriga

Caso dos homens afogados: teoria publicada em livro defende que mortes não foram acidentais

Para muitos, Paulo Netto foi vítima de onda de assassinatos em série que varre o Meio-Oeste desde ‘97. Para a polícia de São Francisco, caso está encerrado

Quase três anos depois do corpo de Paulo Roberto Rodrigues Reis Netto ter sido encontrado boiando na baía de São Francisco, na Califórnia, a causa da morte do brasileiro de 23 anos ainda permanece um mistério.

Nascido em Uberlândia e criado em Rio Verde, o estudante de artes pode ter sido uma das mais de 40 vítimas de um suposto grupo de criminosos que pratica assassinatos em série desde os anos 1990 em pelo menos 11 estados dos EUA.

O cadáver foi encontrado no dia 9 de novembro de 2013 em estado avançado de decomposição. Quinze dias antes, o jovem telefonara de São Francisco para a irmã em Rio Verde dizendo que estava sendo perseguido e pedindo que, do Brasil, ela avisasse a polícia dos EUA.

Paulo estudava design industrial em Los Angeles e havia participado de uma festa em São Francisco, distante apenas 60 km. Três dias depois, o departamento de polícia da Califórnia divulgou imagens de um homem que utilizara o cartão de crédito do rio-verdense em uma lanchonete do McDonald’s. O suspeito, contudo, nunca foi encontrado.

Rede de serial killers

Jovem, branco, atlético, popular e bom estudante, Paulo Netto pode ter sido o alvo escolhido por um grupo de assassinos em série cujas vítimas são dadas como desaparecidas para mais tarde serem encontradas na água. As idades das vítimas variam entre 20 e 31 anos de idade. Entre 2010 e 2013, cinco jovens com perfis idênticos tiveram o mesmo destino de Paulo Netto após desaparecerem no mesmo distrito de São Francisco onde ele foi visto pela última vez.

As suspeitas de que se trata de uma rede de seriais killers deram origem ao livro “The case of the drowning men: Investigating the Smiley Face Serial Murder Theory” (O caso dos homens afogados: Investigando a teoria dos assassinatos em série do ‘rosto sorridente’). A teoria recebeu este nome devido ao fato de, em pelo menos 12 casos, a polícia ter encontrado desenhos com a famosa ‘carinha feliz’ nos arredores dos crimes.

Pai de uma das vítimas mostra 'carinha feliz' nos arredores de um dos crimes (Foto: recorte CNN)
Pai de uma das vítimas mostra ‘carinha feliz’ nos arredores de um dos crimes (Foto: recorte CNN)

Dois detetives aposentados de Nova York, Kevin Gannon e Anthony Duarte, que investigam os casos por conta própria, acreditam que a suposta gangue abandona os corpos na água no intuito de apagar as evidências. Além de impossibilitar a identificação de digitais, a técnica serviria para dar aos crimes a aparência de afogamentos acidentais.

Professor de sociologia e criminalística da Northeastern University, em Boston, Jack Levin se mantém cético quanto à existência de um grupo organizado de assassinos em série nos EUA. “Quando você volta a Charles Manson, nos anos ’60, um grupo de assassinos foi responsável por sete mortes, mas eles estavam todos na mesma localização. Eu nunca ouvi nada sobre uma rede de serial killers agindo ao redor do país”, declarou em uma entrevista à CNN.

O estudioso não considera inconcebível a ideia de que se trata de um ou dois assassinos em série. “Ted Bundy matou dúzias de mulheres em vários estados e ele não tinha um parceiro nem era parte de uma rede.” Quanto aos desenhos da ‘carinha feliz’, ele acredita que pode ter sido uma “grande coincidência”, em razão do símbolo ser amplamente conhecido e utilizado por milhões de pessoas.

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