Doadores de campanha já receberam quase R$ 40 milhões em contratos

Empresas que doaram recursos para Juraci em 2012 tiveram retorno de mais de 250 vezes

Faltando ainda dez meses para terminar o atual mandato, empresas que fizeram doações financeiras à reeleição de Juraci Martins em 2012 já receberam o equivalente a até mais de 250 vezes o valor da contribuição à campanha. Segundo dados do Portal da Transparência, que registra todas as despesas do Poder Executivo, a atual gestão pagou quase R$ 40 milhões para três empresas que financiaram oficialmente a última campanha.

Uma empreiteira local, que bancou R$ 113 mil na campanha do então candidato do PSD, recebeu até o início de fevereiro mais de R$ 33,5 milhões em obras. No primeiro mandato de Juraci, a mesma empresa faturou quase R$ 30 milhões. Nada mal para uma construtora criada um ano antes da campanha com capital social de R$ 2,5 milhões e 20 empregados.

Mais lembradas
O cruzamento de dados da campanha com a prestação de contas da Prefeitura mostra que os financiadores se tornaram campeões em contratos públicos no município, muitas vezes com dispensa de concorrência pública e fartura de aditivos. A quantidade de contratos e pagamentos para as mesmas empresas mostra que elas são as mais lembradas para a prestação de serviços em suas áreas.

Uma locadora de veículos da cidade, que doou R$ 24 mil reais, já recebeu mais de 150 pagamentos na atual gestão, que somam juntos R$ 1,2 milhão. Uma concessionária de veículos, que oficialmente investiu parcos R$ 10 mil, teve retorno de quase R$ 200 mil em pouco mais de três anos. Grande parte dos contratos firmados com as duas empresas teve valores abaixo de R$ 8 mil e, portanto, não precisou passar por licitação.

Conhecida como Reforma Eleitoral 2015, a Lei nº 13.165/2015 proibiu, entre outros itens, o financiamento eleitoral por pessoas jurídicas para as eleições que acontecem este ano. A partir de agora as campanhas serão financiadas apenas por doações de pessoas físicas e pelos recursos do Fundo Partidário. Antes disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia declarado a inconstitucionalidade das doações de empresas para siglas e candidatos.

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